segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Domingo


I


Domingo de todos os sinos
De todos os fiéis,
Igrejas, mesquitas, sinagogas.
Domingo da cidade vazia
Com os personagens em suas casas,
Casas vazias e personagens vazios.
Domingo de sossego e alegria.
Domingo nada mais que um dia.

Domingo que tem a força
De ser sentido na segunda,
Medido com amargura
Pela força do amanhã
Ser uma nova segunda-feira.

Domingo tem cheiro diferente, 
De uma grande alegria,
Pois é domingo.
Domingo de caminhar pelo campo
Domingo de vagar pela praça
De sentar vazio no banco
E olhar indiferente para o coreto
Vazio de tanta espera.
Domingo tão denso é
Que dá vontade
De nele flutuar

Em pensamento.

(Celso Antonio - janeiro de 2015)

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Em outra foto antiga,    
Está no amarelo
De coisas do passado
A imagem de um rosto
Colorido que o tempo
Descoloriu e não envelheceu
Deixando-o sempre jovem
Perdido no fundo da gaveta 
Do armário da saudade.


                            (Celso Antonio dos Santos)

terça-feira, 12 de março de 2013



O catavento e o vento
Brincando de girar
Velozmente trazem notícias.
As noticias existem
Para correr ao sabor do vento
Ao redor do mundo
Brincando de girar
O catavento e o vento.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013



Amanhece e um coração adormecido
Começa lentamente funcionar mais rápido
As cores voltam ao rosto e aos prédios,
O fluxo de automóveis aumenta nas veias
Asfaltadas e mal cuidadas da cidade.

Amanhece e um jornal voa da rua para casa
Trazendo as notícias adormecidas e velhas,
E velhos corpos preguiçosamente estalam
Rangem e reagem negativamente
Pela maneira bruta como é sacudido.

Amanhece e o bom dia se instala
Sem pedir licença por todos os lados.
Amanhece e nada podemos fazer contra.

(Celso Antonio dos Santos)

quarta-feira, 7 de novembro de 2012


A natureza participa
Revelando seus cheiros,
Seus perfumes secretos
Encontrados no chão molhado,
Nas folhas, nas flores,
E na madeira das árvores,
Envolvendo tudo em mistérios,
A porteira, o sítio, os arredores,
Mais ainda a vida dos moradores.
A porteira não demarca nenhum limite,
mas é o portal entre dois mundos.
Um é aquele que acontece lá fora, 
meio perdido, cheio de pessoas procurando algo, 
o outro, é doce tempo parado, cercado de arames e estacas, 
onde reina uma tranqüilidade
que nos leva a sonhar.

Celso Antonio dos Santos.

quarta-feira, 11 de julho de 2012


E um exemplo de árvore para o nosso dia a dia? Gosto da seguinte narrativa do livro “A sombra dos Pinheirais” de Eurico Brandão Jr:

                                                 O carpinteiro terminou mais um dia de trabalho. Era final de semana, chamou um amigo para beber algo em sua casa.
              Ao chegarem, antes de entrarem na casa, o carpinteiro parou por alguns instantes, em silêncio, diante de uma árvore do seu jardim. Tocou seus ramos com ambas as mãos.
Imediatamente seu rosto mudou. Entrou em casa sorrindo, foi recebido pela mulher e pelos filhos, contou histórias e saiu para beber com o amigo na varanda.
               Dali via-se a árvore. Sem conseguir controlar sua curiosidade, o amigo perguntou por que o carpinteiro fizera aquilo?

- Ah, esta é a árvore dos meus problemas – respondeu ele. – sei que não posso evitar ter aborrecimentos no meu trabalho, mas estas preocupações são minhas, e não pertencem a minha esposa nem aos meus filhos.
‘Assim, quando chego aqui, penduro meus problemas nos ramos daquela árvore. No dia seguinte, antes de sair para o trabalho, eu os recolho de novo. ’
‘O mais curioso, porém, é que quando saio de manhã e vou procurá-los, alguns já não estão mais ali, e outros parecem bem menos pesados do que na noite anterior. 

sexta-feira, 15 de junho de 2012


O TELEFONE

O telefone
Interrompe
Aquilo que você está fazendo.
Alô!
É fulano?
Não!
Desculpe, foi engano.
O telefone
Interrompe
Rompe
O fio do pensamento.
A teia das ideias
Tem que ser tricotada
De novo
Com novos desenhos,
Novos sonhos.