sábado, 9 de junho de 2012

é pura beleza
um tapete de relva
verde e florido
colírio colorido
para os olhos
bálsamo cheiroso
para o corpo
e para Alma.
(sexta feira, 06/08/2004)
Celso Antonio dos Santos

sábado, 2 de junho de 2012


ALEPH

Primeira letra, primeiro desenho,
primórdio de tudo, desde minha intenção de escrever,
que frutifique que, as benção sejam grandes.
Permita agradecer antecipadamente: Obrigado!

Princípio, início de uma vastidão
que a nossa razão não consegue acompanhar.

Primeira porta, primeira iniciação,
primeiro dia e primeira noite,
de onde a sabedoria vem em gotas,
dia a dia,
e seu cálice por maior que seja
jamais transbordará.

Sabedoria que nasceu com o Cósmico
na noite da eternidade,
e sua busca só será perfeita
no silêncio da contemplação
do infinito dentro de nós.
Shalom!
(Jales, SP, XI/V/MMIV)

domingo, 27 de maio de 2012



            A vida é feita de surpresas. A vida que pulsa constantemente em tudo, nos convida a abrirmos nova porta quase todos os dias. Mas muitos estão acomodados e acostumados ao o ritmo de vida que levam, se esquivam quando um novo portal se apresenta que, pode ser uma nova oportunidade de crescimento na vida material ou espiritual.
            Sempre que algo novo se apresenta a tendência é o do recolhimento para dentro da nossa concha protetora. Essa fuga é conhecida e tem um nome: medo.
            Nada mais natural, o medo é uma arma de defesa, só não podemos a usar para se evadir das responsabilidades como humanos e místicos. O medo é um motor que nos leva a agir frente à situação, e não um monstro que deve ser aprisionado e controlado, ele é o regulador interno a um perigo externo.
            Max Lucado escreveu: ‘o medo nunca escreveu uma sinfonia ou um poema, negociou um tratado de paz nem curou uma doença. O medo nunca libertou uma família da pobreza nem um país da intolerância. O medo nunca salvou um casamento ou um negócio. A coragem o fez. A fé o fez. As pessoas que se recusaram a ouvir ou se curvar ao medo o fizeram. Mas, o medo propriamente dito, o que ele faz? O medo nos aprisiona e tranca as portas’.
            Contudo, o todo místico sabe que o medo é chave que abre a porta do conhecimento que o combate. Supera-se o medo acabando com a ignorância. O remédio é ler, estudar, saber, julgar, analisar e refletir. Estas são as formas para se acabar com o medo nas diversas situações adversas em que somos postos.
  
Celso Antonio dos Santos 

quarta-feira, 23 de maio de 2012



...é hora de me recolher,
começa lá fora mais uma partida,
sinto no ar o cheiro de paz
na jogada do eu só.
Enquanto há lá um distanciamento
de alguns por noventa minutos
das dores do viver,
encontro os meus dois tempos
de plena sintonia nos campos
que nascem da mudeza
dos encarcerados do jogo
que, nada diz com clareza
mais parece uma procura
da alegria ou uma ingrata tristeza,
de ganhar ou perder algo que não
é seu. Enquanto a bola rola
e não cura as feridas do coração
                                                    fico só comigo mesmo, então. 

sexta-feira, 27 de abril de 2012




Saudade

Quando abri a porta do escritório
Sobre a mesa se iluminou
Uma gravura perdida junto às canetas
E uma montanha de papéis que voou,
Que me chamou atenção.
 E estava eu novamente perdido
Entre a porta do coração,
E a do escritório,
No ar podia sentir
Uma saudade indescritível.

Sobre a mesa iluminada
Repousava uma antiga foto
Esquecida, perdida
Quase sem cores, avermelhada
Cor do sangue, do sol,
Das esquisitices da vida
E do esquecimento total
Alienado do qual nada
Se espera só separa,
Uma foto de velhos amigos
E antigas memórias
Presentes no agora. 
Voltei, fechei a porta
Indo direto para a rua

Deixando para trás um tormento
Que assolou o meu mundo
Em um segundo
Naquele determinado momento.

Esse negócio de saudade
Dói e nos cobra, às vezes
De maneira absurda,
Sem nos dar direito a nenhuma defesa,
Age de maneira ilegal pela lei
Mas legal por ser coisa do coração
Porque somos relapsos nos compromissos
Negligentes por pura vontade
De querer esquecer.
E não tem como, a foto está lá.

(do livro Catavento - Celso Antonio dos Santos)

sábado, 21 de abril de 2012





ESCREVER

Eis que alguém vem e pergunta
E ao mesmo tempo exclama: Escrever?!

Puxa vida! Então, o quê fazer?

Sim, Cara amiga e caro amigo,
Escrever!


Posso com franqueza falar
Que quem não carrega essa sina
Maluca e alucinante de algo querer dizer
Não sabe a loucura que é viver.
Pois é! Eis o sonho de todos nós,
Os nossos sonhos - escrever!


Eis o que diz o grande poeta Ferreira Gullar: “Essa é uma aspiração certamente impossível de realizar, mas a poesia é, entre outras coisas, viver, com a ajuda da palavra, o impossível, já que aspirar apenas ao possível não tem graça.”

...

Não é verdade?
...

Timidamente e às vezes às escondidas
Nos pomos a escrever,
E lá vamos nós, com a caneta,
Numa caligrafia hesitante sobre a folha de papel,
Ou dedos nas teclas do computador
Puxamos palavras atadas a outras palavras
E começamos lentamente a tecer
Linha por linha nossas lavras.
Começamos a plantar a nossa árvore favorita,
Carregando-a com os frutos dos pensamentos
Que, tomam as cores, formas e formatos:
De uma crônica, uma novela, um romance ou poesia.
Expelimos o germe que nos corroia por dentro, em desassossego,
Que quando encontra uma luz, uma saída,
Simplesmente nasce forte e sadia,
A qualquer hora, qualquer tempo, lugar,
Em qualquer dia.
É o fruto e o filho do impossível,
Do acontecimento impensável,
Às vezes da criação musical inimaginável,
E da imprevisível necessidade de se fazer arte.
Então, quando terminado, como um pássaro liberto,
Lança-se aos ares. Livra-se dos becos
E faz do voo liberdade – é pura poesia,
Se faz livro e se faz: ‘Delitos Poéticos’.

Parabéns ao jovem escritor e amigo da vida e das letras André Gandolfo... Parabéns!

Celso Antonio dos Santos.
Jales, SP, 21 de abril de 2012.

quarta-feira, 18 de abril de 2012


                                                                                          (Urânia - SP)
SAUDADE...

Mestre Aurélio, por favor, pode definir o que é Saudade?

- Lembranças tristes e suaves de pessoas ou coisas que ficaram para trás, e, que gostaríamos de vê-las ou possuí-las de novo.

Era uma madrugada amena, tinha despertado e ido ao banheiro. De novo deitado procurava reconciliar o sono interrompido. Um apito agudo de trem se encarregou de me despertar de vez. Ao mesmo tempo em que, voltava à consciência comum, fui arrastado ao passado. O apito era do trem e trazia lembranças de tempos idos.

Nasci à beira de uma estrada de ferro, meu pai era ferroviário da Estrada de Ferro Araraquarense. Minha evolução de bebê a adulto, passando de criança a adolescente, transcorreu ao lado do leito da ferrovia, nunca morei, até hoje, a mais de trezentos metros dela.

O apito que ouvi, mais parecia um grito de agonia da velha ferrovia que parece aos poucos se acabar. Lembrei-me das viagens no trem de passageiros, era ele que movimentava a massa humana de um lugar para outro. Eram pessoas que atuavam em diversas histórias, de vários enredos, nas páginas e mais páginas da vida.

O trem transportava os sonhos, alegrias e tristezas, sempre deixando um rastro metálico de saudades nas paralelas dos trilhos que nunca se encontravam e que, ligavam destinos.

O apito do trem que ouvi, não mais transporta os passageiros saudosos e insones, mas cargas que vem do Centro-Oeste do Brasil que tem como destinos várias partes do Planeta. É o progresso, dizem.

Ainda hoje gosto de caminhar sobre os dormentes da linha férrea, porque dá um caminhar vacilante, pois não são de espaçamentos iguais, diversas vezes tenho que refazer o compasso do passo, acertando o andar, como nas situações da vida diária.

É preciso ver que a vida não pode ficar só na estação da saudade. Saudades são lembranças doces ou amargas que ficaram pelo caminho da estrada de ferro do tempo, que às vezes vamos visitar com o coração alegre, sentados numa poltrona da primeira classe.

(Crônica publicada em agosto de 2006 no ‘Informativo CN’ nº. 2, da cidade de Urânia SP)